sábado, 1 de fevereiro de 2014

Os crimes da igreja católica

A Igreja Católica, essa instituição surgida no império romano a partir das comunidades cristãs primitivas instaladas em Roma, sempre abusou do direito de cometer erros incríveis, "pecados" (para usar um termo caro à própria Igreja) contra a humanidade, absolutamente indizíveis, desde que tornou-se a religião oficial daquele império pelas mãos do imperador Teodósio no ano 380. Mal acabara de tornar-se religião obrigatória, a Santa Igreja iniciou um processo sanguinolento de perseguições aos demais cultos existentes na época.
Em 388 depois de Cristo os cristãos queimaram uma sinagoga (templo judeu) na distante província de Calínico (Mesopotâmia, atual Iraque) e quando Teodósio buscou punir os responsáveis por tal ato, foi severamente repreendido pelo então bispo de Milão, futuro São Ambrósio, que afirmou, textualmente, que queimar sinagogas era a vontade de Deus e que o imperador, como bom cristão que era, não tinha nada que se meter a punir os que haviam praticado tal vandalismo. Uau! Começava ali a consagração (desculpem o termo!) de duas práticas: o uso do fogo para "purificar" infiéis (não católicos ou católicos não muito católicos) e o antissemitismo militante que a Igreja de Roma perpetuou até pouco tempo atrás.
Ainda naquela época e até 391, nossa amada defensora da pureza e da verdadeira palavra de Deus, desenvolveu uma enorme perseguição e destruição de todos os templos dedicados às divindades antigas cultuadas pelos romanos. Templos diversos foram demolidos e suas pedras utilizadas para construir igrejas. Nada mais simbólico do que erguer os templos de uma nova e avassaladora fé sobre os escombros de templos e manifestações religiosas mais antigas. Como atacar apenas as religiões diferentes não era suficiente a Igreja passou também a reprimir duramente aqueles cristãos que não seguiam ao pé da letra as "verdades" estabelecidas pelos bispos romanos. Em 408 o sanguinário Patriarca de Alexandria, futuro São Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destroem os mosteiros que aderiram às idéias de Orígenes, um teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial.Uau! O mais famoso pensamento de Orígenes era a : “ A importância do Espírito Santo: «O Espírito sopra onde quer (Jo 3, 8). Isto significa que o Espírito é um ser substancial e não, como alguns afirmam, uma simples força ou atividade de Deus sem existência individual. O Apóstolo (São Paulo), depois de enumerar os dons do Espírito, prossegue: "um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um de acordo com a sua vontade" (1 Cor 12, 11). Portanto, se atua e distribui de acordo com a sua vontade, é um ser substancial ativo, e não uma mera atividade ou manifestação.»
Se alguém acha que Hitler, aquele ser histérico e seus seguidores doentios e sanguinários inventaram a perseguição e saque de bens judaicos em massa, está enganado! A tecnologia foi criada por ninguém menos do que a própria Santa Amada, pelas mãos do sobrinho do tal São Teófilo, o futuro Santo Cirilo (vejam bem que nepotismo nunca foi lá muito problema para ela). Em 412, sob seu comando, bondosos cristãos queimam em massa as sinagogas de Alexandria, expulsam os judeus da cidade e saqueiam seus bens. Lindo! Uma autêntica demonstração de amor à humanidade! E a lista de crimes é bem longa. Muito longa!
Para encurtar, apenas mais três exemplos,de como a santa igreja católica sabe respeitar a moral e os bons costumes que ensinam, conforme está nos Dez Mandamentos, que matar é pecado e ficar relembrando assassinatos em massa não é de fato algo muito edificante! Então, num outro breve resumo do resumo do resumo, tivemos:
A) A conversão dos saxões pelas mãos do imperador católico Carlos Magno no século XIX. Longe de ter sido algo efetivamente sagrado (pelo o que a própria Igreja define como sendo sagrado), essa conversão custou aos saxões pagãos, milhares de cabeças cortadas que serviram de exemplo aos demais saxões de que a opção era muito simples: ou viravam católicos ou mais milhares de cabeças rolariam. Amém!
B) Em 1095 o Papa Urbano II conclama a cristandade européia a invadir e ocupar a Terra Santa, a Palestina, terra onde Jesus havia nascido, local sagrado para cristãos, judeus e muçulmanos. A Europa, sacudida por uma grave crise social fruto de uma explosão demográfica no período, foi convencida por um papa aventureiro, de que libertar Jerusalém e conquistar a Santa Terra das mãos dos infiéis muçulmanos adeptos de Maomé era um ato divino, inspirado por Deus. No ano seguinte, bravos cavaleiros cristãos louros de olhos azuis e com uma cruz no peito (os cruzados, como ficaram conhecidos) surpreendem os infiéis e "inferiores" muçulmanos da palestina, invadindo Jerusalém e matando com ardente fé redentora mais de SETENTA MIL (70.000!!) defensores do Corão e do profeta Maomé! De quebra, ficaram por ali uns tempos (cem anos), usufruindo das terras e de tudo o mais que puderam usufruir, até serem expulsos pelo general Salamino. Glória a Deus nas alturas!
C) Dando mais um salto no tempo a que este blog não se afogue no banho de sangue cruzadista, vamos ao processo de evaporação de seres humanos em larga escala, perpetrado pela cúria Vaticana e seus papas, bispos e padres fanáticos que, para preservar seu poder de manipulação e concentração de riquezas, impuseram à Europa - com ecos na então colonizada América espanhola e portuguesa - um rito contínuo de fogueiras purificadoras, torturas indizíveis, estímulo à delação e perseguição sem trégua às mulheres da época: a Santa Inquisição! Iniciada no século XIV, mais precisamente em 1314, prolongando-se até...hoje, oras bolas! O atual papa, cardeal Joseph Ratzinger, nada mais era do que o chefe do moderno tribunal da inquisição, singelamente chamado de Congregação Para a Doutrina da Fé, órgão responsável pela manutenção da pureza da fé católica. Contudo, sejamos piedosos! A fase hardcore da Inquisição durou até o início do século XIX, principalmente em Portugal e Espanha. Só na Espanha cerca de trezentas e quarenta mil pessoas foram penitenciadas de alguma maneira e destas, mais de trinta mil viraram churrasco para purificar seus pecados. Santo, santo, santo!
Com um currículo desses, seria razoável supor que a atual Igreja Católica tivesse um pouco mais de comedimento antes de se manifestar publicamente sobre uma série de assuntos. Afinal, já faz muito tempo que ela perdeu o controle sobre a situação política na Europa - e na América, que acabou virando um quintal europeu e cristão graças à destruição de quase todas as culturas ameríndias após a chegada dos conquistadores armados de espadas de aço, canhões e bíblias, outro crime dantesco cometido contra a humanidade.
Seria razoável supor que após a perda em larga escala de fiéis para outros cultos cristãos e para outras religiões, principalmente para o Islamismo, os próceres do Vaticano fossem um pouco mais jeitosos para divulgar suas opiniões sobre problemas do mundo. E principalmente sobre as denúncias de pedofilia que saltam aos borbotões em quase todos os países que têm alguma presença significativa das sucursais da Igreja de Roma. Mas, ledo engano d'alma, os emissários da alta hierarquia católica fazem questão de manter a postura arrogante, prepotente e preconceituosa, num verdadeiro show de horrores verbais - pois ela hoje não pode mais implementar um show de horrores concreto como fazia antes - que chegam a deixar constrangido até mesmo os fiéis mais renitentes (e desconhecedores da história dessa religião).

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